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Entrega de produtos agrícolas em domicílio é alternativa segura para produtores e consumidores = Crise

As experiências se multiplicam pelo território catarinense e provam que crises podem abrir oportunidades interessantes. Para muitos agricultores que entregavam alimentos para merenda escolar, as entregas têm sido a alternativa para escoar a produção e evitar prejuízos

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Considerada atividade essencial, a entrega de alimentos em domicílio é uma das modalidades permitidas pelos decretos do Governo de Santa Catarina que estabeleceram o isolamento social como condição para frear a disseminação do novo coronavírus no Estado. Preocupados em manter seus clientes abastecidos neste período, muitos agricultores optaram por iniciar ou incrementar esse serviço no período de quarentena.

 

As experiências se multiplicam pelo território catarinense e provam que crises podem abrir oportunidades interessantes. Para muitos agricultores que entregavam alimentos para merenda escolar, as entregas têm sido a alternativa para escoar a produção e evitar prejuízos. O mesmo ocorre com aqueles que comercializavam seus produtos em feiras livres que, por enquanto, estão suspensas em alguns municípios. Há os casos de produtores que já faziam delivery e viram essa modalidade crescer nos últimos dias.

 

Em todos os casos, a Epagri segue dando suporte para que a agricultura familiar não pare nesse momento tão delicado. Todas as entregas são feitas com os cuidados recomendados para evitar a proliferação do novo coronavírus. Veja e contacte quem está entregando na sua região, garantindo alimentação saudável para sua família e renda aos agricultores locais. A hora é de fortalecer a economia local.

 

Orgânicos em Joaçaba, Herval do Oeste e Luzerna

 

Ricardo Pilger, agricultor de Joaçaba, já entregava orgânicos para alimentação escolar e contava com uma carteira de cerca de 90 clientes, em seu município e nos vizinhos Herval d'Oeste e Luzerna, para quem fazia entregas em domicílio há dois anos e meio. Com a interrupção do fornecimento para as escolas, ele correu em busca do apoio da Gerência Regional da Epagri em Campos Novos, que trabalhou no fim de semana para preparar uma imagem publicitária e lhe ajudar na divulgação do delivery.

 

A maioria de seus clientes da habitual era da Unoesc. Com a interrupção das aulas, muitos retornaram às casas de suas famílias, o que derrubou a demanda. O incremento na divulgação com apoio da Epagri, fez com que, entre o sábado, 28 de março, e a quarta-feira, 1º de abril, ele acrescentasse 111 clientes em sua lista de entregas, um crescimento superior a 100%, como ressalta. “Em poucas horas o telefone não parava mais de tocar e os pedidos iam chegando”, comemora ele, que espera mais 30 ou 35 fregueses novos até o sábado, 4 de abril.

 

Para dar conta de tamanha demanda ele passou a contar ainda mais com o apoio da irmã, que também é produtora de orgânicos, e de um parceiro de Luzerna, com quem já dividia as entregas antes da crise.

 

Quem quiser encomendar os orgânicos do Ricardo Pilger pode lhe procurar no fone (49) 98850-0406. Em seu mix de produtos ele tem beterraba, brócolis de ramo, repolho verde, batata-doce, aipim descascado ou com casca, alface, chicória, couve folha, cebola roxa, feijão-preto e vermelho, manteiga e abóbora cabotiá.

 

Alimentos sem agrotóxicos em Vargeão, Ponte Serrada, Xanxerê e Faxinal dos Guedes

 

No Oeste do Estado, o Produtos Gosto Familiar, empreendimento da família Pagliari, apostou há um ano em chás da tarde para atrair fregueses a sua propriedade, que está na transição para a agricultura orgânica e deve ser certificada nessa produção até o final do ano. No primeiro evento, promovido em março de 2019, uma extensionista da Epagri explicou o que é agricultura orgânica e as clientes experimentaram os produtos. A estratégia provou-se eficiente: o número de clientes cadastradas para entregas em domicílio saltou de 15 para 70. Hoje, após outros chás na tarde e contando com a divulgação boca a boca, a Produtos Gosto Familiar tem 200 fregueses de entregas, a grande maioria faz pedidos toda semana.

 

Vanderlei Carlos Pagliari conta com empolgação essa história de sucesso, que deu uma estacionada com a crise da pandemia, uma vez que os chás marcados para essa época precisaram ser cancelado, para segurança de todos.

 

O pai da família conta que as entregas, feitas em Ponte Serrada e Vargeão em maior escala, agora começam a ser estendidas para Xanxerê a Faxinal do Guedes, graças ao mais recente chá, voltado para clientes desses municípios. “Está ficando difícil aumentar a entregas, a produção não abrange, a procura é muito grande, uma coisa que deu certo mesmo”, comemora Vanderlei, ressaltando que depois que decidiu pela busca da certificação orgânica, a procura só cresceu.

 

Apesar de estar no limite da sua capacidade de entregas, a Gosto Familiar vai continuar recebendo clientes para os chás da tarde, que pretendem fazer duas vezes por ano. "É um gesto de confiança para com as freguesas", resume Vanderlei.

 

O empreendimento da família Pagliari entrega, no local que o freguês escolher, uma grande variedade de produtos, entre eles mandioca descascada, batata-doce, morango, alface, tempero, feijão de diversos tipos, chimia, doces, açúcar mascavo e queijo. A produção é toda da propriedade para garantir a qualidade. “Como temos essa parceria com os fregueses, que é à base de confiança, não tem como eu responder por produtos de terceiros”, sentencia o agricultor.

 

A Gosto Familiar está no Facebook (https://www.facebook.com/pagliari.pagliari.1) e também atende pelo whastapp (49) 98423-1469.

 

Palmito e mini-milho em conserva em São João do Itaperiú, Joinville e Barra Velha

 

A Nobre Palm Conservas, agroindústria familiar de São João do Itaperiú, viu suas vendas crescerem no início do isolamento social, mas agora as perspectivas já não são boas. Nos primeiros dias de quarentena as entregas aumentaram em torno de 15%, avalia Paulo Henrique Schnaider, que toca o negócio em parceria com sua esposa Joici Junkes Schnaider.

 

A corrida pelas compras no início da quarentena seria a explicação para esse aumento, mas essa onda dá sinais de enfraquecimento. “Estamos percebendo já neste início de semana, através de contato com nossos clientes, que se continuar a quarentena, as vendas darão uma estacionada, pois a população está temendo uma crise com isso tudo, estão sem trabalhar vão ter que dar uma segurada em gastos. Os supermercados que conversamos hoje relataram que as pessoas começaram a comprar apenas o básico”, descreve o produtor.

 

A Nobre Palm produz palmito de palmeira real e pupunha, e, em menor escala, mini-milho em conserva. Realizam algumas entregas em domicílio no seu município e em Joinville e Barra Velha, sempre tomando todas as precauções possíveis para evitar contaminação nesses tempos de pandemia. Mas seus maiores clientes são supermercados e verdureiras em São João do Itaperiú, Jaraguá do Sul, Corupá, Pomerode, Guaramirim, Blumenau Massaranduba, Barra Velha, Penha, Navegantes, Itajaí, Balneário Camboriú, Camboriú, Joinville e São Paulo. Também participam de uma feira promovida pela Epagri.

 

A Nobre Palm Conservas pode ser encontrada no Facebook e Instagram. A agroindústria também aceita pedidos pelo whastapp: (47) 98428-7706 / 9984556854.

 

Orgânicos em Presidente Getúlio, Ibirama, Dona Emma, Balneário Camboriú e Gaspar

 

Rosnei Schmidt, agricultor de Presidente Getúlio, viu as entregas de seus orgânicos praticamente triplicaram desde o início do isolamento. Ele diz que não entende exatamente os motivos desse crescimento. Imagina que, como as pessoas estão mais em casa, a demanda por alimentos aumentou. Mas também tem outra teoria: “Com a situação da doença, dos problemas que podem vir, as pessoas se conscientizaram um pouco em consumir mais orgânico. Não é só porque não pode sair de dentro de casa, acho que a necessidade de consumir uma comida saudável chegou agora um pouco mais forte”, avalia o produtor.

 

Além da produção própria, Rosnei também entrega produtos de vizinhos também orgânicos. São produtores que, assim como ele, forneciam alimentação escolar e agora, sem aulas, não têm como escoar a produção. Ele já fazia entregas em domicílio há, pelo menos, dois anos e comercializava ainda em uma feira livre de Balneário Camboriú, que está suspensa por enquanto.

 

Para aumentar seu mix de produtos, ele faz parceria com uma associação de produtores de orgânicos da Serra Catarinense, com quem troca o excedente da produção. Assim, distribui frutas, verduras, legumes, hortaliças com certificação orgânica. Também dispõe de uma linha de panificados, geleias, macarrão caseiro, e outros processados feitos na agroindústria que mantém na sua propriedade. Tudo com a marca “Família Schmidt”, que dispõe da credibilidade de quem está na quinta geração de agricultores e tem certificação orgânica desde 2004.

 

Quem quiser adquirir os orgânicos da Família Schmidt pode fazer contato com o Rosnei pelo fone (47) 99698-4255.

 

 

Da Assessoria de Imprensa da 

Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural

 

 


Por Jacó Carlos Diel
Por Jacó Carlos Diel

02 Abr 20 • 14 min


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