O aumento do consumo da carne suína e a economia regional

De acordo com a pesquisa, 76% dos entrevistados consomem a proteína e a cada 7,5 dias a colocam na mesa, com crescimento de 30% do hábito de consumo, comparado com a demanda de 2015

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O Brasil, Paraná e o Oeste do Estado, com destaque para Toledo, como principais produtores e exportadores de carne suína do mundo, têm muito o que comemorar, independente dos fatores que contribuíram para esse bom momento. Trata-se do aumento das vendas do produto, nos mercados interno e externo.

Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas de carne suína do Brasil atingiram volume recorde em 2019, com o embarque de 750,3 mil toneladas ao longo do ano, com números 16,2% superiores aos registrados em 2018, quando foram embarcadas 646 mil toneladas.

De acordo com dirigentes da instituição, a crise provocada pela peste suína africana, que já exigiu o sacrifício de 7,8 milhões de suínos em países asiáticos, repercutiu nas vendas externas, mas no mercado nacional o consumo da carne suína também está em expansão, tanto pela concorrência de preço com a proteína bovina, como por novos e inesperados fatores.

Segundo especialistas, o consumo da carne suína vem sendo cada vez mais recomendado pelos profissionais da saúde, como parte de dieta saudável e somados a essas recomendações médicas, a qualidade e os preços competitivos do produto resultaram no aumento de 15,9% no consumo nacional em 2018, alcançando 14,2 quilos per capita/ano.

Levantamentos especializados constataram que em todos os grupos estudados, incluindo consumidores brasileiros entre 16 e 75 anos, a percepção de melhoria da imagem da proteína suína, por ser considerada “saudável, recomendada por nutricionistas, mais barata, prática, saborosa, menos gordurosa e também carne branca”, explica o crescimento da demanda.

Na verdade, o consumo de carne suína no País vem crescendo ao longo dos últimos anos e sua presença na mesa das famílias está cada vez mais frequente. De acordo com a pesquisa, 76% dos entrevistados consomem a proteína e a cada 7,5 dias a colocam na mesa, com crescimento de 30% do hábito de consumo, comparado com a demanda de 2015.

Nos últimos anos, os brasileiros passaram a consumir a proteína toda semana, enquanto em 2008, o faziam apenas três vezes ao mês. Além disso, segundo especialistas, a carne suína tem ainda grande oportunidade de ampliar estes números nos próximos anos, principalmente quando comparadas às vantagens das proteínas bovina e de aves.

A pesquisa igualmente revelou a transformação da realidade da carne suína nos últimos 25 anos, reforçando a ideia de que a proteína é tecnicamente saudável, possui cortes com baixos níveis de gordura e colesterol e não há mais o risco da cisticercose, quando produzida dentro dos atuais padrões e controles de qualidade.

Além disso, o estudo concluiu que a mudança de comportamento do consumidor é resultado dos avanços conquistados pelo setor nos últimos anos, com a constante busca de qualidade, sanidade e praticidade em todos os âmbitos da produção.

A indústria e o comércio, por sua vez, passaram a desenvolver alternativas para oferecer maior variedade de cortes e similaridade com as opções da carne bovina, ao mesmo tempo em que os trabalhos de marketing realizados pelas associações do setor influenciaram profissionais de saúde, a cadeia de distribuição e os consumidores nacionais.

Para Toledo, que também sedia a Festa Nacional do Porco Assado no Rolete, o maior evento gastronômico do Estado e um dos maiores do País, a boa notícia só veio confirmar o que se sabia há muitos anos.

Por Dilceu Sperafico, que é agropecuarista e um verdadeiro entusiasta da causa.

 

 

 

 

 

 

 

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